Ainda me lembro dos tempos coloniais quando representantes da coroa portuguesa tentavam imprimir as belezas da sua cultura através de um discurso palavroso de bom tom ornamentado para salões freqüentados por dondocos, dondocas, e outros iletrados de belas vestes. Aquilo era de tal suprema magnitude que ainda hoje temos o mesmo valor quando saudamos nossa intelligentsia composta por um já canonizado Santo Miguel Falabella, um luso Jô Soares esforçando-se ao máximo a ser um Pasquale referencial da TV, ou para alguns poucos, a riqueza de um culto Amaury Jr.
Para mantermos a estirpe no campo da canção contemporânea, há de se defender um Leoni como gênio, ou um Nando Reis como o maior melodista do país – para, ao menos, alcançarmos a afinação destes ecos onipotentes da antiga colônia.
Ah, tempos memoriais! Quando dromedários patinam com suas melodias por arranjos acórdicos daquela mesma magnitude portuguesa, formando pares com nerds ou nerdas paulistas que pressupõe – “daquele jeito” - ditar as tendências do país, que por sua vez inspiram belas novelitas das 6, que por sua vez remetem a móveis das Casas Amarantes – belos para ornamentarem como nossas estantes, ou nosso chá também das 21:10, que daí por diante há de passar pela repudia - de comoção popular – que de viés se foca num Luis Fernando Carvalho quase abstrato, louco num’ Globo resplandecendo um sempre esquecido Machado Assístico – entortando cada vez mais as esquinas de hermetismos Pascoais dispostas aos nossos faros e ouvidos, fecundando cada vez mais as lavouras arcaicas onde Nassar é um bicho sobre o terreno onde Clarice é comparada a Beatles.
E Deus salve a doce esclerose juvenil daqueles que gostam de azedas comparações.
Pois por fim, de tudo é fim. Fim de ano, fim de mês, fim dos dias, fim do mundo, e, mais um pouco, fim da vida, com seus salários e suas pendências.
Começando, por fim, um novo ano, um novo mês, uma nova etapa, uma nova vida, novos rumos, novas perspectivas.
(Ao me lembrar de tempos descoloniais, ouço uma fábrica rangendo seus dentes raivosos, felizes e potentes lembrando graciosamente cada um daquele, daquela que juntos à máquina lapidam brilhantemente por um único fim - vigorar as forças de uma cidade indescoberta, uma das (tão bem) preciosas estrelas de nosso país - e o motor zunindo num “ Aonde ela está?” é quase pedra-com-pedra a fim de faísca.)
Obs.: O blog é um rascunho público.
LEMBRETE DE ÚLTIMA:
Festival para levantar fundos para a gravação do curta Pôr-do-Sol de Carnaval, que acontecerá em Saquarema na casa do Tiago Buck, no dia 28 de dezembro a partir das 15h. preço $3,00. Haverá sarau com palco livre, e shows com Stella & Miguel, Buenas Bossa Rock, Sollare,e Los Maresias.
Mais informações, acessem:
http://www.orkut.com.br/Main#AlbumList.aspx?uid=14267324560584934705
Comunidade do Curta Pôr-do-Sol de Carnaval :
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=57520386
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Um comentário:
muito obrigada pela divulgação!
espero encontrá-los lá no festival :)
e mal posso esperar por mais uma edição do fabricação própria!
abraço!
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